No próximo dia 13 (sexta-feira), às 18h30, na Livraria Linha de Sombra, é lançado o novo número da revista  Re•vis•ta, de que faz parte um artigo da minha autoria, «Portugal, Portugal: um mapa alternativo do cinema».

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36322698_1738639352894406_2005575527653441536_nNo novo site da Re•vis•ta, disponibilizam-se online textos publicados nas primeiras três edições da publicação. Entre os quais, os ensaios da minha autoria «O caso português: cinema experimental, esse estrangeiro» e «Eldorado XXI: história de uma permuta entre o cinema e o museu».

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(Inscrições aqui)

Título

Cinema e fotografia no Japão: do pós-guerra aos dias de hoje

Local

O Atelier de Lisboa – escola de fotografia vocacionada para o trabalho fotográfico numa perspectiva autoral.

Carga horária e calendário

Total de 30 horas. 2 aulas, 3 horas cada, por semana, em todas as terças e sextas, das 17h00 às 20h00, a partir do dia 9 de Outubro (terça-feira) até 13 de Novembro (terça-feira) de 2018. Inscrições até dia 2 de Outubro.

Custo de inscrição

190 euros.

Número máximo de alunos

25.

Filme The Eraser (Terayama, 1977)Still do filme The Eraser (Shūji Terayama, 1977)

Formadores

Luís Mendonça – É doutorado em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/NOVA), sob orientação da Professora Margarida Medeiros. Tem mestrado na mesma área e pela mesma faculdade, na especialidade de Cinema e Televisão, sob orientação do Professor João Mário Grilo. Deu aulas no âmbito de Cursos Livres da FCSH/NOVA concebidos por si em colaboração com colegas da área do cinema e da fotografia. Escreveu vários artigos e participou em inúmeros colóquios sobre cinema, fotografia e filosofia da imagem, destacando-se a participação no colóquio internacional da EAJS (European Association for Japanese Studies) em 2017. Organizou ciclos de cinema e debates. Realizou vídeos, ensaios audiovisuais e a curta-metragem Lugar/Vazio (2010), mostrada na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e no festival Panorama. Publicou em 2017 dois livros de cinema, um baseado na sua tese de doutoramento, intitulado Fotografia e Cinema Moderno: Os Cineastas Amadores do Pós-guerra (Edições Colibri), e outro, co-editado por si com Carlos Natálio e Ricardo Vieira Lisboa, intitulado O Cinema Não Morreu: Crítica e Cinefilia À pala de Walsh (Linha de Sombra). Este livro resulta do trabalho de mais de cinco anos de edição do site por si co-fundado À pala de Walsh.

Miguel Patrício – É licenciado em Filosofia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/NOVA), onde também terminou o mestrado em Cinema e Televisão com uma dissertação sobre cineastas japoneses dos anos 60 e 70 intitulada “Sístoles e Diástoles: Uma Perspectiva sobre a Art Theatre Guild”. Desde 2007, escreve e dirige palestras sobre cinema japonês. As suas críticas podem ser lidas online, especialmente no site À pala de Walsh e no blogue Último Filme no Universo. Artigos da sua autoria foram publicados em Kiju Yoshida: El cine como destruccíon (Buenos Aires International Independent Film Festival, 2011) ou O Cinema Não Morreu: Crítica e Cinefilia À pala de Walsh (Linha de Sombra, 2017). No que diz respeito a palestras, destacam-se as que deu em Guimarães no CAAA (Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura) em 2013, e em Lisboa, no contexto da EAJS (European Association for Japanese Studies) de 2017. Co-fundou o núcleo de programação White Noise e a produtora independente Storylines.

Fotografia A Hunter (Daido Moriyama, 1972)Fotografia de A Hunter (Daido Moriyama, 1972)

Convidados

Alexandre AlagôaEm 2015 conclui a Licenciatura em Arte Multimédia, na vertente de Audiovisuais, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa; torna-se Mestre em Audiovisuais pela mesma instituição em 2018; e desde o fim de 2017 que trabalha enquanto Monitor do curso de Arte Multimédia na mesma Faculdade, dando apoio e assistência aos alunos no desenvolvimento de trabalhos audiovisuais. Seguindo uma grande influência do cinema experimental e da vídeo-arte, o seu trabalho evoca uma experiência algo claustrofóbica ou de uma certa incapacidade. Os seus filmes destacam um aprisionar do corpo e do olhar em espaços fechados, apertados, reduzidos, comprimidos, numa luta constante com os limites que os condicionam (sejam eles impostos pelo espaço físico, ou pelo próprio enquadramento da câmara de filmar), resultando numa acumulação de tensão e caos, e por conseguinte numa espécie de anulamento da força gravitacional da Terra: estamos sempre a ser empurrados contra as paredes da clausura (da concha, do invólucro) que nos delimita, contra a pele do nosso próprio habitat humano. O seu trabalho opera assim numa fronteira daquilo que é suportável para o nosso organismo perceptivo.

André Príncipe – Estudou Psicologia na Universidade do Porto e graduou-se pela Escola de Cinema de Lisboa em 2001. Expõe regularmente desde 2004. Entre as exposições individuais destacam-se: Walls no Centro Português de Fotografia (2005); Tunnels (2005), Smell of tiger precedes Tiger (2009) e Master and Everyone (2011) na Galeria Fernando Santos; I thought you knew where all of the elephants lie down, no Centro Cultural de Ílhavo (2010); Antena 2 na Galeria Pedro Alfacinha (2014), Non-Fiction no Centro Cultural Vila Flor (2018). Realizou e co-realizou curtas e longas metragens, como “Traces of a diary ” (com Marco Martins) e Campo de flamingos sem flamingos. É fundador e co-editor da editora de livros Pierre von Kleist. Publicou nove livros; Tunnels, (Edições Booth-Clibborn, Londres 2005); Master and Everyone, (2010); I thought you knew where all of the elephants lie down (2011); Perfume do Boi (2012); Smell of Tiger precedes Tiger (2012); Tokyo Diaries, com Marco Martins (2014); You´re living for nothing now, Book 1,2,3, (2015), Non-Fiction (2018) todos editados pela PVK.

David Pinho Barros – É professor, investigador e programador de cinema. É licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade do Porto, com um período Erasmus na Université de la Sorbonne Nouvelle em Paris, e mestre em Ciências da Comunicação – Variante de Cinema e Televisão pela Universidade Nova de Lisboa, com uma dissertação sobre o cinema da Nova Vaga Japonesa orientada pelos Professores José Manuel Costa e Alexandra Curvelo. Frequenta, desde 2014, o doutoramento em Estudos Literários, Culturais e Interartísticos – Variante de Estudos Comparatistas na Universidade do Porto, onde desenvolve um projecto de tese intitulado Clear Line Cinema, em cotutela com a KU Leuven na Bélgica e com orientação dos Professores Jan Baetens e Joana Matos Frias. É também, actualmente, assistente convidado na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde lecciona a cadeira de Cultura Japonesa Contemporânea. Desde 2008, tem trabalhado na programação e produção de eventos cinematográficos em Portugal, na Bélgica e no Reino Unido, e ministrado cursos de história e análise de cinema na Alliance Française, em três faculdades da Universidade do Porto, na Universidade do Minho e na Universidade Nova de Lisboa.

(Inscrições aqui)

4 - Engram (Matsumoto, 1988)Still do filme Engram (Toshio Matsumoto, 1988)

Apresentação

Sans doute faudra-t-il, de plus en plus, coupler le cinéma avec ce qui l’a précédé, c’est-à-dire la photographie.

Serge Daney

Este curso procura traçar criticamente uma história da relação da fotografia com o cinema no Japão, no período que vai da Segunda Guerra Mundial aos dias de hoje. O curso dá a estudar autores pouco – ou não completamente bem – representados na historiografia “oficial” do cinema e da fotografia, tais como (da fotografia) Eikoh Hosoe, Shomei Tomatsu, Takuma Nakahira, Daido Moriyama, Nobuyoshi Araki e Hiroshi Sugimoto, e (do cinema) Shûji Terayama, Shôhei Imamura, Kôji Wakamatsu, Takashi Ito, Toshio Matsumoto e Kiyoshi Kurosawa.

Da fotografia para o cinema, do cinema para a fotografia, procuraremos isolar – para expandir – a originalidade do caso japonês, com o intuito de, numa segunda instância, iluminarmos contiguidades interessantes com o cinema e a fotografia “ocidentais”, ampliando e diversificando a família das nossas referências.

Este curso foi gizado e é conduzido por dois especialistas na área do cinema, da fotografia e da cultura japonesa. As aulas baseiam-se sempre numa articulação original entre a exposição crítica de saberes e a exibição devidamente contextualizada de filmes do cinema japonês que problematizam a sua “precedência fotográfica”. Alguns dos filmes serão mostrados na íntegra e na sua maioria estes são títulos inéditos mostrados pela primeira vez em Portugal.

Programa

1. Eikoh Hosoe e a contra-cultura de 60: do êxtase dos corpos à mitologia pessoal

Bibliografia: Évasion du Japon (2015) de Mathieu Capel

Filmes: Navel and A-Bomb (1963) de Eikoh Hosoe, Patriotism (1966) de Yukio Mishima

2. Shomei Tomatsu e Daido Moriyama: do Vivo aos ‘materiais provocadores’ da fotografia do pós-guerra

Bibliografia: Shohei Tomatsu: Skin of the Nation (2004) de V.A., Daido Moriyama: The World Through My Eyes (2010) de Filippo Maggia

Photobooks: Hunter (1971) de Daido Moriyama, Chewing Gum and Chocolate (1966-2014) de Shomei Tomatsu

Filmes: Daido Moriyama: Memories of a Dog (2006), Near Equal Moriyama Daido (2001) de Kenjiro Fuji, Traces of a Diary (2011) de André Príncipe e Marco Martins

3. Por uma teoria da paisagem no cinema: Masao Adachi e Nagisa Ōshima

Bibliografia: Politics, Porn And Protest: Japanese Avant-Garde Cinema In the 1960s and 1970s (2011) de Isolde Standish, Le Bus de la Révolution Passera Bientôt Prés de Chez Toi (2012) de Masao Adachi, Repletion: Masao Adachi’s Totality (2016) de Rei Terada

Filmes: AKA Serial Killer (1969) de Masao Adachi, The Man Who Left His Will on Film (1970) de Nagisa Ôshima

4. Por uma teoria da paisagem na fotografia: Takuma Nakahira e Yutaka Takanashi

Bibliografia: Yutaka Takanashi: Toshi-e (Towards the City) (2010) de Gerry Badger, Takuma Nakahira: At the Limits of the Gaze (2015) de Franz Prichard

Photobooks: For a Language To Come (1970) de Takuma Nakahira, Towards the city & Notebook People of Tokyo (1974) de Yutaka Takanashi

Fotografia For a Language to Come (Takuma Nakahira, 1970)Fotografia For a Language to Come (Takuma Nakahira, 1970)

5. Kōji Wakamatsu e cinema pink: entre revolução e obscenidade

Bibliografia: Kôji Wakamatsu: Cinéaste de la Révolte (2010) de V.A.

Filmes: Affairs Within Walls (1965) e Go, Go, Second Time Virgin (1969) de Kôji Wakamatsu

6. A pornografia do ‘eu’ e do ‘outro’: Nobuyoshi Araki e Kohei Yoshiyuki

Bibliografia: Araki Mythology (2001) de Jean-Christophe Ammann, Down in the Park: Yoshiyuki Kohei’s Nocturnes (interview) (2007) de Yoshiyuki Kohei e Nobuyoshi Araki

Photobook: Sentimental Journey (1971) de Nobuyoshi Araki, Park (1980) de Kohei Yoshiyuki

Filmes: Arakimentari (2004) de Travis Klose, Tokyo Fair Weather (1997) de Naoto Takenaka, Traces of a Diary (2011) de André Príncipe e Marco Martins

7. O regime escopofílico de Shôhei Imamura

Bibliografia: Shohei Imamura (1997) de V.A.

Filmes: The Pornographers (1966) e A Man Vanishes (1967) de Shôhei Imamura

8. Shûji Terayama e a manufacturação da ausência: do cinema ‘vivo’ à fotografia ‘morta’

Bibliografia: Japanese Counterculture: The Antiestablishment Art of Terayama Shûji (2011) de Steven C. Ridgely, O Testemunho, o Instante e a Memória: Espaços de Corte e de Interrupção em Video Letter (1982-83) (2014) de Miguel Mesquita Duarte

Photobook: Photothèque imaginaire de Shuji Terayama: Les gens de la famille Chien Dieu (1975) de Shûji Terayama

Filmes: The Eraser (1977) de Shûji Terayama, Video Letter (1983) de Shûji Terayama e Shuntaro Tanikawa

9. O fotodinamismo de Toshio Matsumoto

Bibliografia: The angura diva: Toshio Matsumoto’s dialectics of perception, Photodynamism and affect in Funeral Parade of Roses (2014) de Felicity Gee

Filmes: Funeral Parade of Roses (1969), Atman (1975) e Engram (1987) de Toshio Matsumoto

10. O cinema de Takashi Ito e a fragmentação fotográfica do espaço e do tempo

Bibliografia: O Vórtice Abissal: a mise en abyme e o filme estrutural (2017) de Alexandre Alagôa

Filmes: Spacy (1981), Photodiary (1986) e Photodiary 2 (1987) de Takashi Ito

Filme Pastoral To Die in the Country (Terayama, 1974)Still do filme Pastoral To Die in the Country (Shûji Terayama, 1974)

11. Hiroshi Sugimoto: reflexões sobre o quadro branco e o filme latente

Bibliografia: A fotografia e o privilégio de um olhar moderno (2003) de Sérgio Mah

Photobook: Theaters (2000) de Hiroshi Sugimoto

12. O duplo, o fantasma e a câmara obscura de Kiyoshi Kurosawa

Bibliografia: Mon effroyable histoire du cinéma: Entretiens avec Makoto Shinozaki (2008) de Kiyoshi Kurosawa, Kiyoshi Kurosawa: Mémoire de la disparition (2007) de Diane Arnaud

Filme: Le secret de la chambre noire (2016) de Kiyoshi Kurosawa

13. Uma notável geração de fotógrafas: os casos de Chino Otsuka e Mikiko Hara

Bibliografia: New Trends in Japanese Photography (2017) de Filippo Maggia

Photobooks: Photo Album (2012) de Chino Otsuka, Hysteric Thirteen (2005) de Mikiko Hara

14. Anos 00 e a ontologia da imagem fotográfica no cinema: três casos

Bibliografia: Eadweard Muybridge (2010) de Philip Brookman (ed.)

Photobook: Self and Others (1977) de Shigeo Gocho

Filmes: Self and Others (2001) de Makoto Satô, Vestige of Life (2009) de Maki Satake, Muybridge’s Strings (2011) de Kôji Yamamura

Fotografia Marion Palace, Ohio (Hiroshi Sugimoto, 1980)Fotografia Marion Palace, Ohio (Hiroshi Sugimoto, 1980)


Bibliografia geral

  • BARTHES, Roland, A câmara clara, Lisboa, Edições 70, 2008;
  • BELLOUR, Raymond, Between-the-Images, Zurique e Dijon, JRP|Ringier & Les Presses du Réel, 2012;
  • CAMPANY, David, Photography and Cinema, Londres, Reaktion Books, 2008;
  • RICHIE, Donald, A Hundred Years of Japanese Film: A Concise History with a Selective Guide to DVDs and Videos, Tóquio/Nova Iorque/Londres, Kodansha International, 2005;
  • SAS, Miryam, Arts in Postwar Japan: Moments of Encounter, Engagement, and Imagined Return, Cambridge, Harvard University, Asia Center, 2011;
  • SONTAG, Susan, Ensaios sobre Fotografia, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1986;
  • TUCKER, Anne Wilkes et al., The History of Japanese Photography, Houston, Yale University Press, 2003;
  • VARTANIAN, Ivan, KANEKO, Ryuichi, Japanese Photobooks of the 1960s and 70s, Nova Iorque, Aperture, 2009.

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