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Monthly Archives: Dezembro 2015

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Escreve Stéphane du Mesnildot nos Cahiers du cinéma deste mês de Dezembro: “O site mais importante de Portugal, com o qual colabora White Noise, é o À pala de Walsh, reunindo jovens críticos de todo o país. As publicações são quotidianas e fazem a promoção de debates e de apresentações de sessões”.

Call for Papers: Interact #24
(Cinema, Crítica Digital e Ensaio Audiovisual)

Les Trois Desastres

Em 1979, numa conversa com Jean-Luc Godard e o director da Cinemateca Suíça Freddy Buache, Jean Mitry falava da série ainda por realizar Histoire(s) du cinéma como etapa desejável para a abertura da possibilidade de pôr o cinema a ensinar-se a si próprio. Realizador, programador e historiador pareciam concordar que a grande história do cinema ainda estava por fazer, uma que se escrevesse nas próprias imagens ou que fizesse das imagens inscrições de um olhar. Contra as impossibilidades burocrático-legais em torno dos direitos autorais, propunha-se citar um filme com a mesma naturalidade com que se cita um texto. Para quê resolver o problema de uma historiografia do cinema só com palavras, sem imagens e sem o movimento que o cinematógrafo lhes confere? Godard preocupava-se com a influência desregulada dos mass media na sociedade e pugnava por uma nova literacia que educasse o olhar a ler e descodificar a mensagem audiovisual.

Passados mais de 40 anos, o ensaio audiovisual aparece como estágio fundamental de uma denominada «audiovisualcy», aproveitando as facilidades do digital para a concretização do sonho daquele realizador, programador e historiador no final dos anos 70: pôr o cinema a ensinar cinema. O ensaio audiovisual aparece sob diversas formas, reunidas por professores, críticos e amadores do cinema. Justapõem-se gestos, cores, sonoridades, ambiências. Coleccionam-se pedaços de filmes nem sempre respeitando – ou mesmo propositadamente rompendo com – a linearidade cronológica e canónica dos manuais da história do cinema. Descobrem-se e sistematizam-se vizinhanças até então desconhecidas entre e dentro de universos autorais. Apesar da evolução significativa que se regista desde aquela conversa no ano de 1979, e parafraseando Benjamin, a pura crítica de citações ainda está por fazer. Por outro lado, falta ordenar e organizar – quer-se ordenar e organizar? – o caos de ensaios audiovisuais que se amontoa nos confins da Internet.

O novo número da Interact com o título Cinema, Crítica Digital e Ensaio Audiovisual propõe uma ordenação crítica e conceptual destas formas críticas emergentes. Este Call for Papers procura então propostas que respondam a todos estes temas, a saber:

1. Cinema digital
2. Crítica e/ou historiografia do cinema na era digital
3. Comunidades cinéfilas virtuais
4. Ensaios audiovisuais
5. Manipulação/edição na era digital

Para a submissão da proposta, o candidato tem de apresentar o título do ensaio com a indicação da secção a que pretende submeter, um abstract com até 2000 caracteres (com espaços) e a sua filiação universitária.

Lembramos que na Interact as peças devem ser mais curtas, mais ensaísticas, se não mesmo mais experimentais, e há todo o interesse em que seja dado bom uso às capacidades da própria World Wide Web, sendo de incentivar a existência de links, de imagens, de som, de interactividade. Se necessário, e para uma adequada adaptação à actual plataforma de publicação, poderá haver um diálogo entre autor e redacção sempre que a proposta o exija.

O envio das propostas deverá ser feito até 15 de Janeiro de 2015, para o e-mail dos coordenadores do número: Carlos Natálio (carlosnatalio1@gmail.com) e Luís Mendonça (luis.mendonca_@hotmail.com). Se aceites para publicação, as respectivas peças em versão publicável e definitiva deverão ser entregues entre os meses de Janeiro e Abril.

Aula do dia 16 de Dezembro (quarta-feira), às 16h00, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, sala T9, «Expanded Cinema de Gene Younglood: o ‘cinema do amanhã’ hoje», no âmbito do seminário de doutoramento Estéticas Pós-media, ministrado pela Professora Doutora Teresa Cruz.

Índice de filmes:

1. Exploding Plastic Inevitable.

2. 7362.

3. Stan VanDerBeek: The Computer Generation.

Aula divulgada aqui.

L.R-NYI-confrence-contac011

Um excerto da minha conversa com o filho de Lionel Rogosin, Michael Rogosin, e a sua mulher, Pascale Rivault, foi publicado no site À pala de Walsh no âmbito da passagem de On the Bowery (com o documentário assinado por Michael Rogosin, The Perfect Team) Come Back, Africa na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, entre, respectivamente, os dias de  hoje (dia 9, às 21h30) e de amanhã (dia 10, às 19h00). Tem o título «Michael Rogosin: ‘o meu pai tinha uma aguda consciência política’». E pode ser lido aqui.