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Monthly Archives: Novembro 2017

IMG_3359Foi anunciada uma novidade – que desenvolverei em breve – na última sessão do ciclo Quem és tu, cinema?, no Espaço Nimas, no dia de ontem.

A fotografia é de Sabrina D. Marques.

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JE_TAIME

Modero e intervenho na conversa que se segue à derradeira sessão do ciclo Quem és tu, cinema?, na próxima quarta-feira, às 19h00, no Espaço Nimas. Depois da projecção do raríssimo filme de Maria Medeiros Je t’aime… moi non plus – Artistes et critiques, junto-me à conversa com os meus colegas editores do site À pala de Walsh, Carlos Natálio e Ricardo Vieira Lisboa, para falarmos sobre a relação da crítica de cinema com o mundo da criação e o projecto do À pala de Walsh no panorama nacional.

Anunciaremos uma novidade relacionada com o site, um objecto concebido a pensar neste Natal.

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Amanhã, dia 16 de Novembro, na sala multiusos do Instituto Português de Fotografia do Porto, continuamos a falar de Fotografia e Erro. Desta feita, sob o ângulo da filosofia. O horário é o mesmo: das 19h00 às 21h00. A entrada é livre.

A moderação estará a cargo de Paula Preto (IPF – Instituto Português de Fotografia). Os intervenientes e apresentações são as seguintes:

Carlos Natálio

Título da intervenção:

O papel do erro, da fotografia e do cinema na filosofia de Bernard Stiegler

Resumo:

Na segunda metade do primeiro volume da trilogia La Technique et Le Temps, Stiegler defende a ontologia da falta (do “défaut”) como aquela que caracteriza o humano. Esta tem como alegoria mitológica a “falta de Epimeteu”, irmão de Prometeu. A abrir o segundo volume da trilogia dedicada à “desorientação” do homem na sua relação com a técnica, Stiegler aborda a questão da exactidão dos “suportes ortotéticos” (isto é, exactos) da memória, usando a fotografia como exemplo para resistir às tentações do fonocentrismo. No terceiro tomo, subintitulado “o tempo do cinema”, Stiegler fala da sua importância enquanto objecto temporal primordial para a industrialização da memória e do empobrecimento simbólico. Estas serão as portas de entrada que procuramos explorar para pôr a falta, como erro, e seu preenchimento, por via das imagens fotográficas e cinematográficas, em contacto.

Luís Mendonça

Título da intervenção:

Da técnica à estética fotográficas: o erro como brincadeira

Resumo:

“There is a crack, a crack in everything. That’s how the light gets in”. O tema de Leonard Cohen, Anthem, parece encontrar-se com estas palavras de Maria Filomena Molder no seu Rebuçados Venezianos: “a ideia é uma luz (…) que se acende em relação a uma falha”. Uma racha, uma falha. É por ela que acedemos à nossa hipótese. A presente intervenção tem como objectivo entender até que ponto a produção do erro no programa da fotografia e do cinema pode produzir alterações estéticas significativas, formas novas de ver e dar a ver o mundo. Com base no pensamento de Vilém Flusser, Walter Benjamin, Umberto Eco e Giorgio Agamben, entre outros, institui-se, nesta perambulação entre ideias – as da fotografia e as do cinema –, um espaço aberto à brincadeira, entendendo-se esta como oposição produtiva ao jogo, enquanto instância “profanadora” das formas cristalizadas de uma certa tradição. Chegaremos, deste modo, às palavras luminosas de François Truffaut dadas em entrevista rodava o ano de 1969: “Faire un filme (…) c’est prolonger les jeux de l’enfance, construire un objet qui est (…) un jouet inédit”. Casos de estudo como os de Morris Engel, Ruth Orkin, Helen Levitt, Weegee e Robert Frank trarão substância ao corpo de ideias aqui sugerido.

Nélio Conceição

Título da intervenção:

Erro, desvio e figuras do acaso em fotografia – algumas notas

Resumo:

A minha comunicação irá desenvolver uma série de distinções conceptuais e de pistas de leitura (e de observação) relativamente à presença do erro na fotografia. Primeiro, analisarei o erro em quatro instâncias fotográficas que parecem distinguir-se, mas também contaminar-se: as falhas técnicas, a frustração de expectativas, o acaso, a sua utilização como mecanismo estético e conceptual. Segundo, irei transpor para o âmbito fotográfico as seguintes expressões de W. Benjamin sobre o tratado como modo de apresentação filosófica: “método é desvio”; “a sua primeira característica é a renúncia ao percurso ininterrupto da intenção”. Terceiro, descreverei, tanto quanto possível, os termos em que o acaso pode ser pensável na sua relação com o automatismo e a temporalidade da fotografia.

Mais informações aqui.

evento_facebook_ciclo_conf_fotografia_erro_IPF_AFDeixámos Lisboa na passada quinta-feira, com uma sala muito composta no auditório da FCSH/NOVA.

Passamos nesta terça-feira, dia 14 de Novembro, para a Invicta, na sala multiusos do Instituto Português de Fotografia do Porto, para continuarmos a falar de Fotografia e Erro. O horário é o mesmo: das 19h00 às 21h00. A entrada é livre.

A terceira mesa deste ciclo de conferências será dedicada ao grande tema da Arte.

A moderação estará a cargo de Rui Lourosa (IPF – Instituto Português de Fotografia). Os intervenientes e apresentações são as seguintes:

Miguel Mesquita Duarte

Título da intervenção:

O ‘Atlas’ de Gerhard Richter e o trabalho de figuração mnemónica: fotografia, abstracção, erro

Resumo:

O Atlas de Gerhard Richter constitui um arranjo de imagens que, mais do que compor, justapõe, introduzindo o erro e a descontinuidade como princípios que orientam a sua leitura. Esta apresentação – idealmente pensada como uma exposição simultaneamente analítica e heurística das imagens que povoam essa espécie de museu privado de Richter – irá centrar-se no papel desempenhado pelas fotografias do Holocausto no Atlas. Encontrando-se na base de uma espécie de grande renúncia pela qual Richter problematiza as ligações entre a fotografia e a representação pictórica de eventos traumáticos, estas imagens levantam problemáticas que não se resumem ao seu significado estritamente documental, abrindo um espaço de articulação entre o figurativo e o abstracto, o gesto e o testemunho, o público e o privado. É neste espaço de errância e de indecidibilidade que algumas das mais importantes ligações entre arte e fotografia activadas por Richter podem ser criticamente equacionadas.

Susana Lourenço Marques

Título de intervenção:

A, B, C do erro — defeitos e poder das imagens precárias

Resumo:

Em 2011 os artistas Oliver Chanarin & Adam Broomberg publicam e expõem War Primer 2, uma apropriação da edição inglesa de A, B, C da Guerra (1955) desenvolvida por Bertolt Brecht no seu longo exílio, sobrepondo imagens digitais retiradas da internet, precárias e pobres como as definem, para reinterpretar e rever os seus foto-epigramas.
Analisando a recepção e propósito de ambas as publicações, procurar-se-á recuperar a premissa de Brecht em torno da apropriação e montagem da História pelas imagens, para questionar a verdade e o poder que nelas se manifesta: “photography, in the hands of the bourgeoisie, has become a terrible weapon against truth. The vast amount of picture material that is being disgorged daily by the press and that seems to have the character of truth serves in reality only to obscure the facts. The camera is just as capable of lying as is the typewriter.” (Brecht, 1935)
Se o modo como as imagens são interpretadas se relaciona com o contexto e a tomada de posição dos seus leitores, aceitar a precariedade, os defeitos e a sua insistente indefinição, como reduto visível da realidade implica, em simultâneo, readmitir a dificuldade em ver e, nesse sentido, decifrar a consequente manipulação a que essa interpretação fica sujeita. Implica, sobretudo, refazer e actualizar uma pedagogia crítica para as imagens como Brecht violentamente alertou.

Virgílio Ferreira

Título da intervenção:

Impressões intangíveis – prática experimental em fotografia: perfeição, imperfeição e erro

Resumo:

Desde 1839, a fotografia tem sido usada como uma ferramenta funcional de comunicação, e tradicionalmente assumiu um papel de documentar o mundo de forma realista. No entanto, no decorrer da história da fotografia sempre existiram fotógrafos que escaparam dessa tradição, rompendo com regras tradicionais, os quais puxaram pelos limites do meio e abriram novas possibilidades e interpretações do universo fotográfico. Esta apresentação pretende abordar alguns projetos pessoais desenvolvidos na última década, com especial incidência sobre experiências estéticas e formas de pensar e usar a fotografia, com base em estratégias de rigor, erro, hipótese e imperfeições técnicas.

Mais informações aqui.

Talk_AlgarveShoppingParticipação nesta conversa organizada por mim e restantes editores do À pala de Walsh e com produção da Sonae Sierra, em articulação com a exposição – e lançamento do livro – de Milton Greene “Marilyn Unseen”. Trata-se da segunda mesa de um conjunto de duas – saiba mais sobre a primeira aqui.

Estarei ao lado de Vasco Câmara (crítico do Público), Teresa Borges (conservadora fotográfica da Cinemateca Portuguesa) e Carlos Natálio (crítico do À pala de Walsh) para falar sobre, entre outras coisas, “O caso da Magnum e as outras faces da fotografia de cena”.

É no próximo sábado, às 17h00, no AlgarveShopping (Guia-Albufeira). Conversa de acesso livre.

Todas as informações aqui.

evento_facebook_ciclo_conf_fotografia_erro_IPF_AFDepois da casa (praticamente) cheia propiciada pela mesa inaugural dedicada ao tema da fotografia e erro pelo ângulo da História, o ciclo de conferências prossegue com a segunda mesa, que estará sob o signo da Ciência. Acontece amanhã, na quinta-feira, no mesmo local, à mesma hora: 19h00, auditório 3 (5.º piso) da Torre B da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – NOVA FCSH. A entrada é livre.

A moderação estará a cargo de Francisco Feio (IPF – Instituto Português de Fotografia). Os intervenientes e apresentações são as seguintes:

Mariana Castro

Título da intervenção:

O fascínio da imagem fotográfica na ciência

Resumo:

A imagem fotográfica como instrumento de laboratório produz-se enquanto imagem de ciência, como instrumento que privilegia o conhecimento e cuja função é comprovativa. A ciência usa a imagem como instrumento da sua linguagem e a imagem retribui, à interpretação, as formas de apresentação possíveis que irão conter ainda as escolhas da observação, conciliando o real e a imaginação. As fotografias conservam, por isso, a força do fascínio, mesmo fora do seu contexto explicativo. A microscopia, repleta de preliminares à própria observação — a verificação da lâmpada, o ajuste do foco e ainda o enquadramento (a procura inexorável da imagem) — contamina, por certo, a sua fotografia pela função comprovativa da imagem. Mas contaminar-se-á, também ela, pelo acaso?

Margarida Medeiros

Título da intervenção:

Erro e verdade: a fotografia entre a estética e a ciência

Resumo:

Nesta comunicação falar-se-á de imagens fotográficas que trabalham sobre o erro em perspectivas opostas e segundo protocolos complementares. Por um lado, a fotografia espírita apoiou-se em ‘erros’ fotográficos (desfocagem, flou, manchas de água, tremido, sobreexposição), para sustentar um discurso sobre realidades invisíveis e extra-sensoriais, cuja materialidade deveria ser de uma constituição empírica diferente, ou diferentemente observável, e tendo como base o valor de prova do dispositivo fotográfico; por outro, e sobretudo ao longo do século XX, e desde o surrealismo, a arte apropriou-se do erro fotográfico para problematizar a representação do mundo para além dos dispositivos realistas. Autores como Duane Michals, Ralph Eugen-Meatyard, Antonio Giulio Bragaglia, são alguns dos exemplos, para somar a correntes que investiram no erro como figura de estilo essencial (caso da fotografia de rua dos anos cinquenta, que tem em Robert Frank e nas suas fotografias riscadas e tremidas uma referência fundamental).

Victor Flores

Título da intervenção

Pseudoscopias involuntárias: as imagens por trocar nos arquivos

Resumo:

Um dos mais fortes desafios à arqueologia das imagens técnicas prende-se com a recuperação dos saberes e das práticas associadas à sua produção, fundamentais para a sua compreensão e memória histórica. No caso da fotografia estereoscópica, muitos desses saberes perderam-se e foram sobrepostos pela fotografia monoscópica. Como exemplo, uma das situações mais comuns: as pseudoscopias involuntárias nos arquivos. No século XIX, sempre que a fotografia estereoscópica fosse um positivo directo (daguerreótipo, ferrótipo, autocromo) impunha-se a transposição da imagem da esquerda para a direita, e vice versa, corrigindo-se a inversão feita fora da câmara escura e assim se evitando a confusa troca de distâncias na imagem. Esta questão, devidamente resolvida no seu tempo, regressa aos nossos dias, imprevistamente, através do negativo fotográfico e da muito apreciada capacidade digital para a sua positivação. Daqui resulta que uma significativa quantidade de fundos autorais de fotografias estereoscópicas nos arquivos tenha os seus ficheiros transformados em pseudoscopias. Este erro não só impossibilita o correcto visionamento e fruição destas imagens, como põe em risco a própria natureza dos documentos e os seus usos.

Mais informações aqui.