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Monthly Archives: Dezembro 2018

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É motivo de orgulho saber que mais um curso que organizo esgota as suas inscrições. Na realidade, tal como aconteceu com o curso Fotofilme, a procura foi tanta que alguns interessados ficaram em lista de espera. O presente curso, ABC do Cinema – Uma História dos Conceitos, terá ao todo 32 alunos, incluindo 2 para lá do limite estipulado, algo só possível graças à garantia dada pela FCSH/NOVA sobre a reserva de uma sala que possa receber uma turma com este número de alunos.

Quero agradecer a todos os que ajudaram na divulgação deste curso, em especial aos convidados Carlos Natálio, José Bértolo, Miguel Patrício e Sérgio Dias Branco.

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Queria também fazer um ponto da situação no que diz respeito aos Cursos Livres da FCSH/NOVA: os seis que até agora organizei viram esgotadas as suas inscrições, dos cursos práticos resultaram – até ver – cerca de três dezenas de filmes que circularam por festivais de cinema de renome internacional, tais como IndieLisboa, Doclisboa e Curtas Vila do Conde. Envolveram dezenas de convidados, em que se contaram nomes como Adrian Martin, Cristina Álvarez López, Tiago Baptista, André Príncipe, Cláudia Varejão e Margarida Leitão.

As aulas prestadas nestes cursos são remuneradas, e este ano procurámos nomeadamente no ABC do Cinema aproximar o valor por hora aos valores praticados pela FCSH/NOVA para professores doutorados. É um ponto de honra para mim neste momento garantir que o trabalho seja devidamente pago e que o trabalho dos alunos tenha a projecção devida, muito para lá das quatro paredes da faculdade.

Contudo, os Cursos Livres não são meios de subsistência para ninguém. O trabalho envolvido na divulgação é exigente e dispendioso. O sucesso dos cursos – apesar de até hoje ser notório – envolve não só muito trabalho de divulgação (feita sem um apoio institucional que dê garantias) como um investimento oneroso da nossa parte, formadores. Por outro lado, somos investigadores em que as oportunidades de vermos o nosso trabalho remunerado são menos que diminutas. As faculdades privilegiam a contratação por interesse, “à medida”, não valorizando suficientemente quem tem espírito de iniciativa, quem dá a pele pela investigação e quem investe na criação de novos currículos académicos ou quem procura alargar os mais tradicionais campos do saber.

Posto isto, este é o contexto pessoal e profissional que envolve todos estes sucessos no âmbito de Cursos Livres mais ou menos “assistémicos” a que nos vamos agarrando. Falo de mim, mas não estou só: há uma geração de investigadores, recém-doutorados, com provas dadas, que sofre na pele as consequências deste estado de coisas. Pensar que as oportunidades se vão gerar por causa da qualidade do nosso trabalho – mesmo que esta qualidade seja secundada pela própria Universidade Portuguesa – é ser-se terrível e fatalmente ingénuo neste meio. Resta-nos abraçar a leccionação e a investigação – as nossas paixões – como quem abraça uma causa ou como quem participa num Movimento de Resistência. Mas, pergunto, resistência contra quê ou contra quem, exactamente?

 

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43708926_10156164742179775_8092051103895519232_oNo Cinema Monumental, às 19h00, no dia 12 de Dezembro (quarta-feira), participo na conversa em torno do filme A História do Camelo Que Chora de Byambasuren Davaa e Luigi Falorni.

Organização: Instituto de História da Arte da FCSH/NOVA, Sociedade Portuguesa de Psicanálise, Medeia Filmes e Leopardo Filmes. Curadoria: Bruno Marques, Cláudia Madeira, Conceição Tavares de Almeida, Giulia Lamoni, João Mendes Ferreira.

Mais informações aqui.

MV5BMzUyNTc2NzQtMDZlNC00ZDZjLWI1NTgtZTFlODBkYWJiNzIwL2ltYWdlL2ltYWdlXkEyXkFqcGdeQXVyMjYxMzY2NDk@._V1_Na próxima terça-feira, às 14h00, dou uma aula por videoconferência na cadeira de Cultura Japonesa Contemporânea, ministrada pelo Professor David Pinho Barros, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Esta aula vai debruçar-se sobre o cinema experimental de Takashi Ito, cruzando-o com filmes de Toshio Matsumoto, Michael Snow, Ernie Gehr e Alexandre Alagôa: “Configurações do espaço e do tempo no cinema de Takashi Ito”.

Todas as informações aqui.

 

agenda_top18Na próxima quarta-feira, às 15h00, na Videoteca Municipal (Largo do Calvário, nº 2), participo na projecção e conversa em torno do filme Storm Over Lisbon (1944) de George Sherman, com Erich von Stroheim, desenrolado em Lisboa (uma Lisboa reconstruída em estúdio). A conversa contará com a minha presença e a das investigadoras Mariana Liz e Eliana Sousa Santos. Esta iniciativa inclui o programa de actividades do ciclo de visionamentos Topografias Imaginárias.

Todas as inforamções sobre o evento aqui.