les_carabiniers_movie_sceneO Curso Livre ABC do Cinema – Uma História dos Conceitos começa esta terça-feira, às 18h00, na sala T15 (Torre B, 3.º piso) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Este Curso passará a pente fino quinze conceitos-chave da história do cinema, de “Atracções (cinema e montagem das)” a “Videoclipe”. As aulas serão dadas por mim e pelos meus convidados, por ordem de aparição: Carlos Natálio (já esta terça, para o conceito de “Atracções”), José Bértolo (“Fotogenia”), Miguel Patrício (“Pillow Shot”) e Sérgio Dias Branco (“Videoclipe”).

Além desta equipa de professores, estão confirmadas outras participações, mais pontuais, que irão complementar as minhas aulas: Anastasia Lukovnikova (recém-mestre pela FCSH/NOVA com uma dissertação sobre o documentário na primeira pessoa), Francisco Rocha (cinéfilo que administra o blogue My Two Thousand Movies), Afonso Mota (um dos mais promissores jovens realizadores do panorama nacional) e Ricardo Pinto de Magalhães (um premiado vídeo-ensaísta).

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Fotografia de Mariana Castro

⟶ Consulte aqui o meu CV resumido em duas páginas (última actualização: Janeiro 2019) ⟵

A partir de agora, disponibilizo o meu CV resumido aqui e na página deste site chamada Curriculum vitae (onde consta o CV pormenorizado), que pode aceder directamente aqui. A cada actualização, republico o link para o documento em post.

É bem-vinda e será devidamente considerada qualquer proposta de emprego na área da leccionação, investigação, escrita, jornalismo, edição, sobre cinema, fotografia, media, sociedade e cultura.

Por favor, faça chegar este documento a eventuais interessados. Agradeço antecipadamente a ajuda.

A minha situação profissional é identificada genericamente neste comunicado.

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É motivo de orgulho saber que mais um curso que organizo esgota as suas inscrições. Na realidade, tal como aconteceu com o curso Fotofilme, a procura foi tanta que alguns interessados ficaram em lista de espera. O presente curso, ABC do Cinema – Uma História dos Conceitos, terá ao todo 32 alunos, incluindo 2 para lá do limite estipulado, algo só possível graças à garantia dada pela FCSH/NOVA sobre a reserva de uma sala que possa receber uma turma com este número de alunos.

Quero agradecer a todos os que ajudaram na divulgação deste curso, em especial aos convidados Carlos Natálio, José Bértolo, Miguel Patrício e Sérgio Dias Branco.

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Queria também fazer um ponto da situação no que diz respeito aos Cursos Livres da FCSH/NOVA: os seis que até agora organizei viram esgotadas as suas inscrições, dos cursos práticos resultaram – até ver – cerca de três dezenas de filmes que circularam por festivais de cinema de renome internacional, tais como IndieLisboa, Doclisboa e Curtas Vila do Conde. Envolveram dezenas de convidados, em que se contaram nomes como Adrian Martin, Cristina Álvarez López, Tiago Baptista, André Príncipe, Cláudia Varejão e Margarida Leitão.

As aulas prestadas nestes cursos são remuneradas, e este ano procurámos nomeadamente no ABC do Cinema aproximar o valor por hora aos valores praticados pela FCSH/NOVA para professores doutorados. É um ponto de honra para mim neste momento garantir que o trabalho seja devidamente pago e que o trabalho dos alunos tenha a projecção devida, muito para lá das quatro paredes da faculdade.

Contudo, os Cursos Livres não são meios de subsistência para ninguém. O trabalho envolvido na divulgação é exigente e dispendioso. O sucesso dos cursos – apesar de até hoje ser notório – envolve não só muito trabalho de divulgação (feita sem um apoio institucional que dê garantias) como um investimento oneroso da nossa parte, formadores. Por outro lado, somos investigadores em que as oportunidades de vermos o nosso trabalho remunerado são menos que diminutas. As faculdades privilegiam a contratação por interesse, “à medida”, não valorizando suficientemente quem tem espírito de iniciativa, quem dá a pele pela investigação e quem investe na criação de novos currículos académicos ou quem procura alargar os mais tradicionais campos do saber.

Posto isto, este é o contexto pessoal e profissional que envolve todos estes sucessos no âmbito de Cursos Livres mais ou menos “assistémicos” a que nos vamos agarrando. Falo de mim, mas não estou só: há uma geração de investigadores, recém-doutorados, com provas dadas, que sofre na pele as consequências deste estado de coisas. Pensar que as oportunidades se vão gerar por causa da qualidade do nosso trabalho – mesmo que esta qualidade seja secundada pela própria Universidade Portuguesa – é ser-se terrível e fatalmente ingénuo neste meio. Resta-nos abraçar a leccionação e a investigação – as nossas paixões – como quem abraça uma causa ou como quem participa num Movimento de Resistência. Mas, pergunto, resistência contra quê ou contra quem, exactamente?