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Tag Archives: Miguel Patrício

brandedtokill660A propósito de uma sessão dupla dedicada ao cineasta nipónico Seijun Suzuki, conversa com Miguel Patrício, na próxima sexta-feira, na Universidade de Évora, auditório Soror Mariana, às 21h30. Vão passar os filmes Good Evening Dear Husband: A DuelBranded to Kill.

A conversa serve também para lançar em Évora o livro O Cinema Não Morreu: Crítica e Cinefilia À pala de Walsh, que estará à venda antes e durante a sessão, com 10% de desconto, a 16, 20 euros (cortesia do editor, a Livraria Linha de Sombra).

Esta é uma organização O Cinema-fora-dos-Leões com o À pala de Walsh. Mais informações aqui.

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les_carabiniers_movie_sceneO Curso Livre ABC do Cinema – Uma História dos Conceitos começa esta terça-feira, às 18h00, na sala T15 (Torre B, 3.º piso) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Este Curso passará a pente fino quinze conceitos-chave da história do cinema, de “Atracções (cinema e montagem das)” a “Videoclipe”. As aulas serão dadas por mim e pelos meus convidados, por ordem de aparição: Carlos Natálio (já esta terça, para o conceito de “Atracções”), José Bértolo (“Fotogenia”), Miguel Patrício (“Pillow Shot”) e Sérgio Dias Branco (“Videoclipe”).

Além desta equipa de professores, estão confirmadas outras participações, mais pontuais, que irão complementar as minhas aulas: Anastasia Lukovnikova (recém-mestre pela FCSH/NOVA com uma dissertação sobre o documentário na primeira pessoa), Francisco Rocha (cinéfilo que administra o blogue My Two Thousand Movies), Afonso Mota (um dos mais promissores jovens realizadores do panorama nacional) e Ricardo Pinto de Magalhães (um premiado vídeo-ensaísta).

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É motivo de orgulho saber que mais um curso que organizo esgota as suas inscrições. Na realidade, tal como aconteceu com o curso Fotofilme, a procura foi tanta que alguns interessados ficaram em lista de espera. O presente curso, ABC do Cinema – Uma História dos Conceitos, terá ao todo 32 alunos, incluindo 2 para lá do limite estipulado, algo só possível graças à garantia dada pela FCSH/NOVA sobre a reserva de uma sala que possa receber uma turma com este número de alunos.

Quero agradecer a todos os que ajudaram na divulgação deste curso, em especial aos convidados Carlos Natálio, José Bértolo, Miguel Patrício e Sérgio Dias Branco.

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Queria também fazer um ponto da situação no que diz respeito aos Cursos Livres da FCSH/NOVA: os seis que até agora organizei viram esgotadas as suas inscrições, dos cursos práticos resultaram – até ver – cerca de três dezenas de filmes que circularam por festivais de cinema de renome internacional, tais como IndieLisboa, Doclisboa e Curtas Vila do Conde. Envolveram dezenas de convidados, em que se contaram nomes como Adrian Martin, Cristina Álvarez López, Tiago Baptista, André Príncipe, Cláudia Varejão e Margarida Leitão.

As aulas prestadas nestes cursos são remuneradas, e este ano procurámos nomeadamente no ABC do Cinema aproximar o valor por hora aos valores praticados pela FCSH/NOVA para professores doutorados. É um ponto de honra para mim neste momento garantir que o trabalho seja devidamente pago e que o trabalho dos alunos tenha a projecção devida, muito para lá das quatro paredes da faculdade.

Contudo, os Cursos Livres não são meios de subsistência para ninguém. O trabalho envolvido na divulgação é exigente e dispendioso. O sucesso dos cursos – apesar de até hoje ser notório – envolve não só muito trabalho de divulgação (feita sem um apoio institucional que dê garantias) como um investimento oneroso da nossa parte, formadores. Por outro lado, somos investigadores em que as oportunidades de vermos o nosso trabalho remunerado são menos que diminutas. As faculdades privilegiam a contratação por interesse, “à medida”, não valorizando suficientemente quem tem espírito de iniciativa, quem dá a pele pela investigação e quem investe na criação de novos currículos académicos ou quem procura alargar os mais tradicionais campos do saber.

Posto isto, este é o contexto pessoal e profissional que envolve todos estes sucessos no âmbito de Cursos Livres mais ou menos “assistémicos” a que nos vamos agarrando. Falo de mim, mas não estou só: há uma geração de investigadores, recém-doutorados, com provas dadas, que sofre na pele as consequências deste estado de coisas. Pensar que as oportunidades se vão gerar por causa da qualidade do nosso trabalho – mesmo que esta qualidade seja secundada pela própria Universidade Portuguesa – é ser-se terrível e fatalmente ingénuo neste meio. Resta-nos abraçar a leccionação e a investigação – as nossas paixões – como quem abraça uma causa ou como quem participa num Movimento de Resistência. Mas, pergunto, resistência contra quê ou contra quem, exactamente?

 

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ABC do Cinema – Uma História dos Conceitos

Datas: 22 de Janeiro a 6 de Fevereiro | Terças, quartas e quintas-feiras, das 18h00 às 21h00 | 30 de Janeiro das 17h00 às 21h00.

Local: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/NOVA).

Professora Responsável: Professora Doutora Margarida Medeiros.

Formador:

Luís Mendonça – Doutorado em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/NOVA), sob orientação da Professora Margarida Medeiros. Tem mestrado na mesma área e pela mesma faculdade, na especialidade de Cinema e Televisão, sob orientação do Professor João Mário Grilo. Deu aulas no âmbito de Cursos Livres concebidos por si em colaboração com colegas da área do cinema e da fotografia. Escreveu vários artigos e participou em inúmeros colóquios sobre cinema, fotografia e filosofia da imagem. Organizou ciclos de cinema e debates. Realizou vídeos, ensaios audiovisuais e a curta-metragem Lugar/Vazio (2010). É investigador no ICNOVA da FCSH/NOVA.

Convidados:

Carlos Natálio – Com formação nas áreas do Direito, Cinema e Ciências da Comunicação, tem exercido sobretudo actividade nas áreas da crítica de cinema, programação e investigação. Fundou em 2012 o site de cinema português, À pala de Walsh e mantém desde 2009 o seu blogue Ordet, onde escreve sobre cinema, cultura contemporânea e arte. É membro da AIM: Associação de Investigadores da Imagem em Movimento e co-editor da revista Aniki- Revista Portuguesa de Imagem em Movimento. Interessado na relação entre cinema e pedagogia, área na qual prepara a sua dissertação de doutoramento, tem colaborado desde 2015 com a associação Filhos de Lumière. Escreveu em 2016, no âmbito do projecto CinEd- European Cinema Education for Youth, o caderno pedagógico dedicado a O Sangue, de Pedro Costa. Em 2017 co-editou o livro O Cinema Não Morreu: Crítica e Cinefilia À pala de Walsh. No prelo está também o caderno pedagógico dedicado ao filme Aniki-Bóbó de Manoel de Oliveira.

José Bértolo – Desenvolve o doutoramento no Programa Internacional em Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa (oferecido em parceria com a Universidade Católica de Lovaina e a Universidade de Bolonha), com uma bolsa da FCT para um projecto sobre espectralidade no cinema português, em particular em Paulo Rocha, Manoel de Oliveira, João Pedro Rodrigues e Pedro Costa. Enquanto investigador do Centro de Estudos Comparatistas da FLUL, trabalha nas áreas dos estudos fílmicos e dos estudos interartes, com particular incidência em questões de narrativa, representação e figuração, ontologia e materialidade das imagens. Colaborou como docente de Análise Fílmica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Integrou a comissão editorial da revista electrónica Falso Movimento, editou com Clara Rowland A Escrita do Cinema: Ensaios (Documenta, 2015) e publicou Imagens em Fuga: Os Fantasmas de François Truffaut (Documenta, 2016) e Sobreimpressões: Leituras de Filmes (Documenta, 2018).

Miguel Patrício – É licenciado em Filosofia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/NOVA), onde também terminou o mestrado em Cinema e Televisão com uma dissertação sobre cineastas japoneses dos anos 60 e 70 intitulada “Sístoles e Diástoles: Uma Perspectiva sobre a Art Theatre Guild”. Desde 2007, escreve e dirige palestras sobre cinema japonês. As suas críticas podem ser lidas online, especialmente no site À pala de Walsh e no blogue Último Filme no Universo. Artigos da sua autoria foram publicados em Kiju Yoshida: El cine como destruccíon (Buenos Aires International Independent Film Festival, 2011) ou O Cinema Não Morreu: Crítica e Cinefilia À pala de Walsh (Linha de Sombra, 2017). No que diz respeito a palestras, destacam-se as que deu em Guimarães no CAAA (Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura) em 2013, e em Lisboa, no contexto da EAJS (European Association for Japanese Studies) de 2017. Co-fundou o núcleo de programação White Noise e a produtora independente Storylines.

Sérgio Dias Branco – É Professor Auxiliar de Estudos Fílmicos na Universidade de Coimbra, onde coordena os Estudos Fílmicos e da Imagem e dirige o Mestrado em Estudos Artísticos. É coordenador do LIPA – Laboratório de Investigação e Práticas Artísticas. Como investigador, integra o Instituto de Filosofia da Nova (IFILNOVA), colabora com o Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20), e é membro convidado do grupo de análise fílmica da Universidade de Oxford, “The Magnifying Class”. É presidente da Direção da AIM – Associação de Investigadores da Imagem em Movimento. Desenvolve uma investigação de mestrado em teologia na Universidade de Durham. Lecionou na Universidade Nova de Lisboa e na Universidade de Kent, onde lhe foi atribuído o grau de doutor em Estudos Fílmicos. Co-edita duas revistas, Cinema: Revista de Filosofia e da Imagem em Movimento e Conversations: The Journal of Cavellian Studies, e é autor do livro Por Dentro das Imagens: Obras de Cinema, Ideias do Cinema (Documenta, 2016).

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Custo de inscrição: 

130 euros (público em geral), 104 euros (Sócios INATEL e ACP), 90 euros (estudantes, de qualquer grau e estabelecimento de ensino), 100 euros (antigos alunos, da FCSH/NOVA). Os custos de avaliação (facultativos): 20 euros (público em geral), 15 euros (estudantes e antigos alunos). Custo do certificado: 6 euros.

Número máximo de participantes:

30.

ECTS:

2.

Objectivos:

  • Contactar com os pontos fundamentais da história do cinema a partir de alguns dos seus conceitos-chave.
  • Articular criticamente conceitos da história do cinema, sem perder de vista as suas leituras críticas mais contemporâneas.
  • Saber relacionar teoria com a técnica cinematográfica, justapondo conceitos a soluções visuais e sonoras.
  • Aprender a construir um argumento crítico com base nalguns conceitos fundamentais, sugerindo leituras novas que mobilizem investigações futuras.
  • Saber organizar e partilhar pela escrita o pensamento em torno das imagens cinematográficas, dominando, assim, um conjunto de ferramentas de análise fílmica.

Programa:

Dizia Jean-Luc Godard que as imagens são complementos das ideias. O presente curso procura fazer da teoria e da história pontos de contacto com as obras. No sentido desta confluência, propõe-se uma história das ideias, uma abordagem do cinema a partir de alguns dos conceitos fundamentais que pensam ou fazem pensar as principais alterações estéticas e técnicas que se foram operando desde a invenção do cinematógrafo pelos irmãos Lumière até aos dias de hoje. Para o entendimento da história do cinema e de uma ontologia da imagem cinematográfica, constitui-se um pensamento crítico que põe em relação e problematiza algumas ideias cristalizadas. O mote é simples: oferecer uma leitura completa da história de alguns dos principais conceitos ligados ao pensamento das imagens cinematográficas, mas sem abdicar de uma perspectiva crítica que repensa algumas ideias feitas.

Trata-se este de um laboratório de ideias que fornece ao aluno uma bateria de conceitos que o ajudarão a moldar o pensamento crítico e científico sobre o cinema, abrindo perspectivas científicas e até artísticas. Baseado na ideia de Deleuze de que toda a filosofia é uma filosofia dos conceitos, este curso assenta num abecedário crítico, fazendo de cada ideia-força o mote para cada aula, que, por sua vez, fará uma articulação permanente entre a ideação e a prática artísticas, conjugando leitura crítica de textos sobre a imagem com exibição de excertos ou filmes inteiros considerados exemplares.

Propõe-se ainda uma chamada ao espaço da aula de bibliografia fresca sobre cada uma das correntes teóricas enunciadas. A leitura desses textos permitirá actualizar as articulações que propomos, entre o que os teóricos, críticos e realizadores (pre)disseram e as transformações que estão hoje em curso.

O nosso abecedário irá incidir sobre os seguintes quinze conceitos-chave, cada um originador de parte de uma aula: Atracções (cinema e montagem das); Autores (política dos); Câmara-caneta; Cine-olho; Cinefilia; Desktop cinema; Expandido (cinema); Fotogenia; Freeze-frame; Imagem-tempo; Jump cut; Kulechov (efeito); Pillow-shotSlow cinema; Videoclipe. Das ideias nascem imagens, das imagens nascem ideias. Este vai-e-vem produtivo constitui o fluxo de práticas deste curso.

Bibliografia:

  • AUMONT, Jacques, A Análise do Filme, Lisboa, Texto & Grafia,  2013;
  • AUMONT, Jacques, MARIE, Michel, Dicionário Teórico e Crítico do Cinema, Lisboa, Texto & Grafia, 2008;
  • BAECQUE, Antoine de, CHEVALLIER, Philippe, Dictionnaire de la pensée du cinéma, Paris, Puf, 2012;
  • GRILO, João Mário, As Lições do Cinema: Manual de Filmologia, Lisboa, Edições Colibri, 2008;
  • JOURNOT, Marie-Thérèse, Vocabulário de Cinema, Lisboa, Edições 70, 2005.

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(Inscrições aqui)

Título

Cinema e fotografia no Japão: do pós-guerra aos dias de hoje

Local

O Atelier de Lisboa – escola de fotografia vocacionada para o trabalho fotográfico numa perspectiva autoral.

Carga horária e calendário

Total de 30 horas. 2 aulas, 3 horas cada, por semana, em todas as terças e sextas, das 17h00 às 20h00, a partir do dia 9 de Outubro (terça-feira) até 13 de Novembro (terça-feira) de 2018. Inscrições até dia 2 de Outubro.

Custo de inscrição

190 euros.

Número máximo de alunos

25.

Filme The Eraser (Terayama, 1977)Still do filme The Eraser (Shūji Terayama, 1977)

Formadores

Luís Mendonça – É doutorado em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/NOVA), sob orientação da Professora Margarida Medeiros. Tem mestrado na mesma área e pela mesma faculdade, na especialidade de Cinema e Televisão, sob orientação do Professor João Mário Grilo. Deu aulas no âmbito de Cursos Livres da FCSH/NOVA concebidos por si em colaboração com colegas da área do cinema e da fotografia. Escreveu vários artigos e participou em inúmeros colóquios sobre cinema, fotografia e filosofia da imagem, destacando-se a participação no colóquio internacional da EAJS (European Association for Japanese Studies) em 2017. Organizou ciclos de cinema e debates. Realizou vídeos, ensaios audiovisuais e a curta-metragem Lugar/Vazio (2010), mostrada na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e no festival Panorama. Publicou em 2017 dois livros de cinema, um baseado na sua tese de doutoramento, intitulado Fotografia e Cinema Moderno: Os Cineastas Amadores do Pós-guerra (Edições Colibri), e outro, co-editado por si com Carlos Natálio e Ricardo Vieira Lisboa, intitulado O Cinema Não Morreu: Crítica e Cinefilia À pala de Walsh (Linha de Sombra). Este livro resulta do trabalho de mais de cinco anos de edição do site por si co-fundado À pala de Walsh.

Miguel Patrício – É licenciado em Filosofia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/NOVA), onde também terminou o mestrado em Cinema e Televisão com uma dissertação sobre cineastas japoneses dos anos 60 e 70 intitulada “Sístoles e Diástoles: Uma Perspectiva sobre a Art Theatre Guild”. Desde 2007, escreve e dirige palestras sobre cinema japonês. As suas críticas podem ser lidas online, especialmente no site À pala de Walsh e no blogue Último Filme no Universo. Artigos da sua autoria foram publicados em Kiju Yoshida: El cine como destruccíon (Buenos Aires International Independent Film Festival, 2011) ou O Cinema Não Morreu: Crítica e Cinefilia À pala de Walsh (Linha de Sombra, 2017). No que diz respeito a palestras, destacam-se as que deu em Guimarães no CAAA (Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura) em 2013, e em Lisboa, no contexto da EAJS (European Association for Japanese Studies) de 2017. Co-fundou o núcleo de programação White Noise e a produtora independente Storylines.

Fotografia A Hunter (Daido Moriyama, 1972)Fotografia de A Hunter (Daido Moriyama, 1972)

Convidados

Alexandre AlagôaEm 2015 conclui a Licenciatura em Arte Multimédia, na vertente de Audiovisuais, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa; torna-se Mestre em Audiovisuais pela mesma instituição em 2018; e desde o fim de 2017 que trabalha enquanto Monitor do curso de Arte Multimédia na mesma Faculdade, dando apoio e assistência aos alunos no desenvolvimento de trabalhos audiovisuais. Seguindo uma grande influência do cinema experimental e da vídeo-arte, o seu trabalho evoca uma experiência algo claustrofóbica ou de uma certa incapacidade. Os seus filmes destacam um aprisionar do corpo e do olhar em espaços fechados, apertados, reduzidos, comprimidos, numa luta constante com os limites que os condicionam (sejam eles impostos pelo espaço físico, ou pelo próprio enquadramento da câmara de filmar), resultando numa acumulação de tensão e caos, e por conseguinte numa espécie de anulamento da força gravitacional da Terra: estamos sempre a ser empurrados contra as paredes da clausura (da concha, do invólucro) que nos delimita, contra a pele do nosso próprio habitat humano. O seu trabalho opera assim numa fronteira daquilo que é suportável para o nosso organismo perceptivo.

André Príncipe – Estudou Psicologia na Universidade do Porto e graduou-se pela Escola de Cinema de Lisboa em 2001. Expõe regularmente desde 2004. Entre as exposições individuais destacam-se: Walls no Centro Português de Fotografia (2005); Tunnels (2005), Smell of tiger precedes Tiger (2009) e Master and Everyone (2011) na Galeria Fernando Santos; I thought you knew where all of the elephants lie down, no Centro Cultural de Ílhavo (2010); Antena 2 na Galeria Pedro Alfacinha (2014), Non-Fiction no Centro Cultural Vila Flor (2018). Realizou e co-realizou curtas e longas metragens, como “Traces of a diary” (com Marco Martins) e Campo de flamingos sem flamingos. É fundador e co-editor da editora de livros Pierre von Kleist. Publicou nove livros; Tunnels, (Edições Booth-Clibborn, Londres 2005); Master and Everyone, (2010); I thought you knew where all of the elephants lie down (2011); Perfume do Boi (2012); Smell of Tiger precedes Tiger (2012); Tokyo Diaries, com Marco Martins (2014); You´re living for nothing now, Book 1,2,3, (2015), Non-Fiction (2018) todos editados pela PVK.

David Pinho Barros – É professor, investigador e programador de cinema. É licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade do Porto, com um período Erasmus na Université de la Sorbonne Nouvelle em Paris, e mestre em Ciências da Comunicação – Variante de Cinema e Televisão pela Universidade Nova de Lisboa, com uma dissertação sobre o cinema da Nova Vaga Japonesa orientada pelos Professores José Manuel Costa e Alexandra Curvelo. Frequenta, desde 2014, o doutoramento em Estudos Literários, Culturais e Interartísticos – Variante de Estudos Comparatistas na Universidade do Porto, onde desenvolve um projecto de tese intitulado Clear Line Cinema, em cotutela com a KU Leuven na Bélgica e com orientação dos Professores Jan Baetens e Joana Matos Frias. É também, actualmente, assistente convidado na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde lecciona a cadeira de Cultura Japonesa Contemporânea. Desde 2008, tem trabalhado na programação e produção de eventos cinematográficos em Portugal, na Bélgica e no Reino Unido, e ministrado cursos de história e análise de cinema na Alliance Française, em três faculdades da Universidade do Porto, na Universidade do Minho e na Universidade Nova de Lisboa.

(Inscrições aqui)

4 - Engram (Matsumoto, 1988)Still do filme Engram (Toshio Matsumoto, 1988)

Apresentação

Sans doute faudra-t-il, de plus en plus, coupler le cinéma avec ce qui l’a précédé, c’est-à-dire la photographie.

Serge Daney

Este curso procura traçar criticamente uma história da relação da fotografia com o cinema no Japão, no período que vai da Segunda Guerra Mundial aos dias de hoje. O curso dá a estudar autores pouco – ou não completamente bem – representados na historiografia “oficial” do cinema e da fotografia, tais como (da fotografia) Eikoh Hosoe, Shomei Tomatsu, Takuma Nakahira, Daido Moriyama, Nobuyoshi Araki e Hiroshi Sugimoto, e (do cinema) Shûji Terayama, Shôhei Imamura, Kôji Wakamatsu, Takashi Ito, Toshio Matsumoto e Kiyoshi Kurosawa.

Da fotografia para o cinema, do cinema para a fotografia, procuraremos isolar – para expandir – a originalidade do caso japonês, com o intuito de, numa segunda instância, iluminarmos contiguidades interessantes com o cinema e a fotografia “ocidentais”, ampliando e diversificando a família das nossas referências.

Este curso foi gizado e é conduzido por dois especialistas na área do cinema, da fotografia e da cultura japonesa. As aulas baseiam-se sempre numa articulação original entre a exposição crítica de saberes e a exibição devidamente contextualizada de filmes do cinema japonês que problematizam a sua “precedência fotográfica”. Alguns dos filmes serão mostrados na íntegra e na sua maioria estes são títulos inéditos mostrados pela primeira vez em Portugal.

Programa

1. Eikoh Hosoe e a contra-cultura de 60: do êxtase dos corpos à mitologia pessoal

Bibliografia: Évasion du Japon (2015) de Mathieu Capel

Filmes: Navel and A-Bomb (1963) de Eikoh Hosoe, Patriotism (1966) de Yukio Mishima

2. Shomei Tomatsu e Daido Moriyama: do Vivo aos ‘materiais provocadores’ da fotografia do pós-guerra

Bibliografia: Shohei Tomatsu: Skin of the Nation (2004) de V.A., Daido Moriyama: The World Through My Eyes (2010) de Filippo Maggia

Photobooks: Hunter (1971) de Daido Moriyama, Chewing Gum and Chocolate (1966-2014) de Shomei Tomatsu

Filmes: Daido Moriyama: Memories of a Dog (2006), Near Equal Moriyama Daido (2001) de Kenjiro Fuji, Traces of a Diary (2011) de André Príncipe e Marco Martins

3. Por uma teoria da paisagem no cinema: Masao Adachi e Nagisa Ōshima

Bibliografia: Politics, Porn And Protest: Japanese Avant-Garde Cinema In the 1960s and 1970s (2011) de Isolde Standish, Le Bus de la Révolution Passera Bientôt Prés de Chez Toi (2012) de Masao Adachi, «Repletion: Masao Adachi’s Totality» (2016) de Rei Terada

Filmes: AKA Serial Killer (1969) de Masao Adachi, The Man Who Left His Will on Film (1970) de Nagisa Ôshima

4. Por uma teoria da paisagem na fotografia: Takuma Nakahira e Yutaka Takanashi

Bibliografia: Yutaka Takanashi: Toshi-e (Towards the City) (2010) de Gerry Badger, «Takuma Nakahira: At the Limits of the Gaze» (2015) de Franz Prichard

Photobooks: For a Language To Come (1970) de Takuma Nakahira, Towards the city & Notebook People of Tokyo (1974) de Yutaka Takanashi

Fotografia For a Language to Come (Takuma Nakahira, 1970)Fotografia For a Language to Come (Takuma Nakahira, 1970)

5. Kōji Wakamatsu e cinema pink: entre revolução e obscenidade

Bibliografia: Kôji Wakamatsu: Cinéaste de la Révolte (2010) de V.A.

Filmes: Affairs Within Walls (1965) e Go, Go, Second Time Virgin (1969) de Kôji Wakamatsu

6. A pornografia do ‘eu’ e do ‘outro’: Nobuyoshi Araki e Kohei Yoshiyuki

Bibliografia: Araki Mythology (2001) de Jean-Christophe Ammann, «Down in the Park: Yoshiyuki Kohei’s Nocturnes (interview)» (2007) de Yoshiyuki Kohei e Nobuyoshi Araki

Photobook: Sentimental Journey (1971) de Nobuyoshi Araki, Park (1980) de Kohei Yoshiyuki

Filmes: Arakimentari (2004) de Travis Klose, Tokyo Fair Weather (1997) de Naoto Takenaka, Traces of a Diary (2011) de André Príncipe e Marco Martins

7. O regime escopofílico de Shôhei Imamura

Bibliografia: Shohei Imamura (1997) de V.A.

Filmes: The Pornographers (1966) e A Man Vanishes (1967) de Shôhei Imamura

8. Shûji Terayama e a manufacturação da ausência: do cinema ‘vivo’ à fotografia ‘morta’

Bibliografia: Japanese Counterculture: The Antiestablishment Art of Terayama Shûji (2011) de Steven C. Ridgely, «O Testemunho, o Instante e a Memória: Espaços de Corte e de Interrupção em Video Letter» (1982-83) (2014) de Miguel Mesquita Duarte

Photobook: Photothèque imaginaire de Shuji Terayama: Les gens de la famille Chien Dieu (1975) de Shûji Terayama

Filmes: The Eraser (1977) de Shûji Terayama, Video Letter (1983) de Shûji Terayama e Shuntaro Tanikawa

9. O fotodinamismo de Toshio Matsumoto

Bibliografia: «The angura diva: Toshio Matsumoto’s dialectics of perception, Photodynamism and affect in Funeral Parade of Roses» (2014) de Felicity Gee

Filmes: Funeral Parade of Roses (1969), Atman (1975) e Engram (1987) de Toshio Matsumoto

10. O cinema de Takashi Ito e a fragmentação fotográfica do espaço e do tempo

Bibliografia: O Vórtice Abissal: a mise en abyme e o filme estrutural (2017) de Alexandre Alagôa

Filmes: Spacy (1981), Photodiary (1986) e Photodiary 2 (1987) de Takashi Ito

Filme Pastoral To Die in the Country (Terayama, 1974)Still do filme Pastoral To Die in the Country (Shûji Terayama, 1974)

11. Hiroshi Sugimoto: reflexões sobre o quadro branco e o filme latente

Bibliografia: A fotografia e o privilégio de um olhar moderno (2003) de Sérgio Mah

Photobook: Theaters (2000) de Hiroshi Sugimoto

12. O duplo, o fantasma e a câmara obscura de Kiyoshi Kurosawa

Bibliografia: Mon effroyable histoire du cinéma: Entretiens avec Makoto Shinozaki (2008) de Kiyoshi Kurosawa, Kiyoshi Kurosawa: Mémoire de la disparition (2007) de Diane Arnaud

Filme: Le secret de la chambre noire (2016) de Kiyoshi Kurosawa

13. Uma notável geração de fotógrafas: os casos de Chino Otsuka e Mikiko Hara

Bibliografia: New Trends in Japanese Photography (2017) de Filippo Maggia

Photobooks: Photo Album (2012) de Chino Otsuka, Hysteric Thirteen (2005) de Mikiko Hara

14. Anos 00 e a ontologia da imagem fotográfica no cinema: três casos

Bibliografia: Eadweard Muybridge (2010) de Philip Brookman (ed.)

Photobook: Self and Others (1977) de Shigeo Gocho

Filmes: Self and Others (2001) de Makoto Satô, Vestige of Life (2009) de Maki Satake, Muybridge’s Strings (2011) de Kôji Yamamura

Fotografia Marion Palace, Ohio (Hiroshi Sugimoto, 1980)Fotografia Marion Palace, Ohio (Hiroshi Sugimoto, 1980)


Bibliografia geral

  • BARTHES, Roland, A câmara clara, Lisboa, Edições 70, 2008;
  • BELLOUR, Raymond, Between-the-Images, Zurique e Dijon, JRP|Ringier & Les Presses du Réel, 2012;
  • CAMPANY, David, Photography and Cinema, Londres, Reaktion Books, 2008;
  • RICHIE, Donald, A Hundred Years of Japanese Film: A Concise History with a Selective Guide to DVDs and Videos, Tóquio/Nova Iorque/Londres, Kodansha International, 2005;
  • SAS, Miryam, Arts in Postwar Japan: Moments of Encounter, Engagement, and Imagined Return, Cambridge, Harvard University, Asia Center, 2011;
  • SONTAG, Susan, Ensaios sobre Fotografia, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1986;
  • TUCKER, Anne Wilkes et al., The History of Japanese Photography, Houston, Yale University Press, 2003;
  • VARTANIAN, Ivan, KANEKO, Ryuichi, Japanese Photobooks of the 1960s and 70s, Nova Iorque, Aperture, 2009.

(Inscrições aqui)

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No dia 1 de Setembro (sexta-feira), às 16h00, no Auditório 3 da Torre B da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, vou partilhar com os meus colegas David Pinho Barros e Miguel Patrício um painel na EAJS: 15th International Conference of the European Association for Japanese Studies. O painel tem o nome “Chromophobia and Chromophilia in Japanese Cinema”. Todas as informações sobre o mesmo podem ser consultadas aqui.

O título da minha comunicação é “Gesture and Colour in Isao Takahata’s Ghibli”.

Abstract:

There is a distinct difference between the films made by Isao Takahata and Hayao Miyazaki, the two founding fathers of Studio Ghibli. Looking at the surface of Takahata’s animation style we notice how rarefied his gesture is compared to Miyazaki’s drawings, which are much more lineate and vividly colourful. Takahata works in a very different “economy of style”. He is the one to sustain that “when you’re drawing fast there’s passion. With a carefully finished product that passion gets lost”. Takahata is interested in speed, but he takes much more time finishing a picture than Miyazaki – for instance, he took fourteen years to complete his latest film “The Tale of Princess Kaguya” (2013).

Since “Only Yesterday” (1991), he is enticed by the so-called negative space (Manny Farber) or, as the Japanese called it, “ma”, perfecting a kind of “zero degree” style (Roland Barthes) of animation. His films seem to erupt from white, a colour that represents light (Goethe), but that also conveys the anguish of emptiness. He draws or “adds up” over the “espace anéanti” (Roger Munier): “Le néant n’est que l’excès du réel. Le réel incandescent, brûlant de sa propre réalité, la consumant.” The prevalence of white doesn’t mean that his films are deprived of full-blown and even earthly characters. Quite the opposite: in Takahata’s sublime aesthetics reality glows in so much as fantastic fantasy is put aside.